Poluentes conservativos

Antes de avançar sobre os poluentes conservativos quero apenas dizer que podemos dividir os poluentes em cinco categorias: Resíduos Biodegradáveis, Fertilizantes, Resíduos de Dissipação, Resíduos Conservativos, e Resíduos Sólidos.

Avançando para a categoria dos poluentes conservativos, quero primeiro dizer-vos o que são e, posteriormente, explicar-vos o porquê que nos devemos preocupar com eles.

Os poluentes conservativos são resíduos que não estão sujeitos ao ataque bacteriano e não são dissipados, pelo que se conservam. Contudo não se conservam intactos, isto é, são reactivos de várias formas com plantas e animais, e por vezes com efeitos prejudiciais. Devido à sua persistência e efeitos nocivos, estes são considerados uma ameaça muito séria. Um exemplo de resíduos conservativos são os metais pesados, como mercúrio, cobre, chumbo, e zinco.

A razão pela qual nos devemos preocupar com os poluentes conservativos está relacionada com a bioacumulação. Isto é, as plantas e animais variam amplamente na sua capacidade para regular o seu teor de metal, a maioria pode fazê-lo apenas ao longo de um intervalo limitado, e metais que não possam ser excretados permanecem no corpo e são continuamente adicionados ao longo da vida do organismo. Ao ser adicionados ao longo da vida do organismo significa que os animais que se alimentam de bioacumuladores têm uma dieta enriquecida nesses materiais conservativos e se, como é comumente o caso, eles também são incapazes de excreta-los, por sua vez, adquirem uma carga corporal ainda maior da substância. Isto é biomagnificação. O seu principal significado é que os predadores de topo, incluindo seres humanos, podem ser expostos a concentrações muito elevadas de uma substância conservativa na sua alimentação. Estas substâncias são, portanto, um risco de saúde potencial para o ser humano, bem como uma ameaça aos recursos naturais, e têm sido responsáveis ​​por mortes humanas. Por esta razão, os poluentes conservativos são considerados como uma grande preocupação.

Penso que este exemplo ajuda a entender o processo de bioacumulação e, consequentemente, o perigo:

O pesticida DDT tem aproximadamente a mesma toxicidade que a aspirina. Uma dose letal de aspirina é de cerca de 100 comprimidos, a mesma quantidade de DDT é também letal. No entanto, é possível tomar 0,5 – 1 g de aspirina por um número de dias indefinidos sem efeitos nocivos porque é excretado. O DDT não é excretado (trata-se de um poluente conservativo), deste modo uma exposição repetida até à dose letal terá as suas consequências.

Agora que já entendemos que é importante evitar estes poluentes, vamos perceber a sua origem. No caso dos metais a sua entrada no meio ambiente deve-se a causas naturais da erosão do minério de suporte de rochas, poeira levada pelo vento, actividade vulcânica e incêndios florestais. As entradas pela actividade humana são por deposição atmosférica (por troca gasosa na superfícies, quer por deposição seca quer por deposição húmida), rios (fazem a maior contribuição de metais para o oceano quando passam por zonas urbanas e descargas) e descargas directas ou despejo (pequenas quantidades, contudo podem ser localizadas se forem adicionadas a zonas marítimas com pouca circulação de água). As dragagens de portos e estuários contaminados são uma importante fonte de contaminação por metais em algumas áreas.

Relativamente ao mercúrio, muitos organismos acumulam grandes quantidades de mercúrio sem danos. As aves piscívoras marinhas acumulam mercúrio nas penas, mas tal perde-se quando mudam as penas. Em aves e mamíferos, o selénio antagoniza os efeitos do mercúrio. Os peixes com longa vida (atum, espadarte, espadim, alguns tubarões, pregado, etc) acumulam altas concentrações de metil-mercúrio e são perigosos para os consumidores, como os humanos. Um bom exemplo dos efeitos do mercúrio nos humanos foi as descargas de metil-mercúrio de uma fábrica no Japão responsável por várias mortes: doença de minamata. (Atenção se é uma pessoa sensível estas imagens podem ferir a sua susceptibilidade: http://www.youtube.com/watch?v=ihFkyPv1jtU )

Outro exemplo das consequências de um metal pesado é o do Cádmio, não se tem detectado nenhum efeito ambiental, mas no ser humano não se pode dizer o mesmo. O Cádmio foi associado com a doença “itai itai” (afecta os osos, rins, retracção dos testículos, e olfacto) no Japão, mas isso não foi confirmado em nenhum outro lugar. Mesmo assim, o cádmio é incluído na ‘lista negra’ de substâncias que não devem ser descarregados para o mar.

Há muitos mais exemplos, não só com metais pesados, mas também com outros poluentes conservativos ( Hidrocarbonetos Halogenados, radioactivos). O importante é perceber que todas as nossas acções vão ter consequências, não só na Natureza e nos outros seres vivos, mas também em cada um de nós. Assim, quando uma fábrica pretende poluir o meio ambiente não devemos ignorar, pois ela poderá comprometer a nossa vida, devemos-nos preocupar e informar-nos e fazer a nossa parte para evitar que algo de mau possa posteriormente acontecer. Lembre-se, cada um de nós é uma gota, mas podemos fazer a diferença, temos de agir e nos interessar pelo o mundo, pelo o que acontece à nossa volta.

Adquira novos hábitos, informe-se constantemente e tome a atitude certa!

fonte: Clark, R.B. 2000. Marine Pollution. 5th ed.

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2 thoughts on “Poluentes conservativos

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