Category Archives: Conceitos Ambientais

Já se imaginou a nadar neste lago?

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Neste blog já falei de eutrofização, ou melhor, referi os factores que contribuem para a eutrofização, como é o caso dos detergentes ricos em fosfatos.

Eutrofização significa bem (eu) nutrido (trophein), assim quando se diz que um lago está eutrofizado, na realidade estamos a dizer que um lago está bem nutrido. Estar bem nutrido significa que o lago se encontra rico em nutrientes.

Os principais nutrientes que contribuem para este fenómeno são os compostos químicos ricos em fósforo e/ou azoto, como detergentes e fertilizantes. No caso dos detergentes, entram no sistema sanitário e acabam por ser despejados nos rios, quando não são tratados em ETAR’s. No caso dos fertilizantes, quando ocorrem chuvas, estas vão arrastar estes compostos  até ao rio e lagos, contribuindo assim para o processo de eutrofização.

A eutrofização não tem origem apenas nas causas antropogénicas, por vezes também ocorre de forma natural. Mas é importante o ser humano não intensificar estes processos.

O facto de haver muitos nutrientes disponível na massa de água leva a um aumento da quantidade de algas. Uma elevada quantidade de algas promove o desenvolvimento de consumidores primários, o que implica um aumento da biomassa. O facto de haver uma elevada biomassa leva a uma diminuição da quantidade de oxigénio dissolvido, deste modo ocorre a morte dos diversos seres vivos e consequentemente a sua decomposição. Este processo altera bastante o ecossistema diminuindo a qualidade da água.

Adquira novos hábitos, evite o consumo de comida proveniente de agricultura intensiva de fertilizantes e evite a utilização de produtos constituídos por fosfatos e azotos.

Note: Evitar consumir alimentos provenientes de agricultura intensiva em fertilizantes não só contribui para não alterar o equilíbrio do ecossistema de um lago como contribui para uma melhor saúde (reveja o post Acção Reacção, mais concretamente o video do exemplo 3)  As consequências dos pesticidas e similares. )

fonte: conhecimentos adquiridos

fonte da imagem: images.google.pt

Poluentes conservativos

Antes de avançar sobre os poluentes conservativos quero apenas dizer que podemos dividir os poluentes em cinco categorias: Resíduos Biodegradáveis, Fertilizantes, Resíduos de Dissipação, Resíduos Conservativos, e Resíduos Sólidos.

Avançando para a categoria dos poluentes conservativos, quero primeiro dizer-vos o que são e, posteriormente, explicar-vos o porquê que nos devemos preocupar com eles.

Os poluentes conservativos são resíduos que não estão sujeitos ao ataque bacteriano e não são dissipados, pelo que se conservam. Contudo não se conservam intactos, isto é, são reactivos de várias formas com plantas e animais, e por vezes com efeitos prejudiciais. Devido à sua persistência e efeitos nocivos, estes são considerados uma ameaça muito séria. Um exemplo de resíduos conservativos são os metais pesados, como mercúrio, cobre, chumbo, e zinco.

A razão pela qual nos devemos preocupar com os poluentes conservativos está relacionada com a bioacumulação. Isto é, as plantas e animais variam amplamente na sua capacidade para regular o seu teor de metal, a maioria pode fazê-lo apenas ao longo de um intervalo limitado, e metais que não possam ser excretados permanecem no corpo e são continuamente adicionados ao longo da vida do organismo. Ao ser adicionados ao longo da vida do organismo significa que os animais que se alimentam de bioacumuladores têm uma dieta enriquecida nesses materiais conservativos e se, como é comumente o caso, eles também são incapazes de excreta-los, por sua vez, adquirem uma carga corporal ainda maior da substância. Isto é biomagnificação. O seu principal significado é que os predadores de topo, incluindo seres humanos, podem ser expostos a concentrações muito elevadas de uma substância conservativa na sua alimentação. Estas substâncias são, portanto, um risco de saúde potencial para o ser humano, bem como uma ameaça aos recursos naturais, e têm sido responsáveis ​​por mortes humanas. Por esta razão, os poluentes conservativos são considerados como uma grande preocupação.

Penso que este exemplo ajuda a entender o processo de bioacumulação e, consequentemente, o perigo:

O pesticida DDT tem aproximadamente a mesma toxicidade que a aspirina. Uma dose letal de aspirina é de cerca de 100 comprimidos, a mesma quantidade de DDT é também letal. No entanto, é possível tomar 0,5 – 1 g de aspirina por um número de dias indefinidos sem efeitos nocivos porque é excretado. O DDT não é excretado (trata-se de um poluente conservativo), deste modo uma exposição repetida até à dose letal terá as suas consequências.

Agora que já entendemos que é importante evitar estes poluentes, vamos perceber a sua origem. No caso dos metais a sua entrada no meio ambiente deve-se a causas naturais da erosão do minério de suporte de rochas, poeira levada pelo vento, actividade vulcânica e incêndios florestais. As entradas pela actividade humana são por deposição atmosférica (por troca gasosa na superfícies, quer por deposição seca quer por deposição húmida), rios (fazem a maior contribuição de metais para o oceano quando passam por zonas urbanas e descargas) e descargas directas ou despejo (pequenas quantidades, contudo podem ser localizadas se forem adicionadas a zonas marítimas com pouca circulação de água). As dragagens de portos e estuários contaminados são uma importante fonte de contaminação por metais em algumas áreas.

Relativamente ao mercúrio, muitos organismos acumulam grandes quantidades de mercúrio sem danos. As aves piscívoras marinhas acumulam mercúrio nas penas, mas tal perde-se quando mudam as penas. Em aves e mamíferos, o selénio antagoniza os efeitos do mercúrio. Os peixes com longa vida (atum, espadarte, espadim, alguns tubarões, pregado, etc) acumulam altas concentrações de metil-mercúrio e são perigosos para os consumidores, como os humanos. Um bom exemplo dos efeitos do mercúrio nos humanos foi as descargas de metil-mercúrio de uma fábrica no Japão responsável por várias mortes: doença de minamata. (Atenção se é uma pessoa sensível estas imagens podem ferir a sua susceptibilidade: http://www.youtube.com/watch?v=ihFkyPv1jtU )

Outro exemplo das consequências de um metal pesado é o do Cádmio, não se tem detectado nenhum efeito ambiental, mas no ser humano não se pode dizer o mesmo. O Cádmio foi associado com a doença “itai itai” (afecta os osos, rins, retracção dos testículos, e olfacto) no Japão, mas isso não foi confirmado em nenhum outro lugar. Mesmo assim, o cádmio é incluído na ‘lista negra’ de substâncias que não devem ser descarregados para o mar.

Há muitos mais exemplos, não só com metais pesados, mas também com outros poluentes conservativos ( Hidrocarbonetos Halogenados, radioactivos). O importante é perceber que todas as nossas acções vão ter consequências, não só na Natureza e nos outros seres vivos, mas também em cada um de nós. Assim, quando uma fábrica pretende poluir o meio ambiente não devemos ignorar, pois ela poderá comprometer a nossa vida, devemos-nos preocupar e informar-nos e fazer a nossa parte para evitar que algo de mau possa posteriormente acontecer. Lembre-se, cada um de nós é uma gota, mas podemos fazer a diferença, temos de agir e nos interessar pelo o mundo, pelo o que acontece à nossa volta.

Adquira novos hábitos, informe-se constantemente e tome a atitude certa!

fonte: Clark, R.B. 2000. Marine Pollution. 5th ed.

Acção Reacção

Não me estou a referir à 3ªLei de Newton, mas sim aos efeitos das nossas acções no planeta Terra. Para me explicar melhor, primeiro convém dar uma introdução ao que é um ecossistema.

Em 1935, Tansley, um pioneiro na ciência da ecologia, definiu os sistemas ecológicos ou ecossistemas sob a forma:

“ecossistema = biocenose + biótopo”

Sendo biótopo o meio físico e biocenose a associação das espécies interactivas nesse meio. Hoje define-se um ecossistema como um sistema de interacções entre as populações de diferentes espécies que vivem num mesmo sítio, e entre estas populações e o meio físico. Um ecossistemas pode ter diversas dimensões, isto é, há autores que aplicam a um tamanho intermédio e caracterizadas por uma unidade de aspecto tal como: uma floresta, um lago, etc. Contudo, como não existem diferenças de natureza entre os ecossistemas de diferentes tamanhos podemos considerar o ecossistema planetar. Outra característica dos ecossistemas é o facto das interacções entre populações vivas e o meio físico-químico existirem num sentido duplo, isto é, se o meio condiciona a existência e a biologia das espécies, reciprocamente, a biologia das espécies modificam o meio. Por exemplo:

– Determinadas espécies provocam uma consolidação, até mesmo o endurecimento de um substrato até então movediço. Outras, pelo contrário, amolecem um substrato duro. Nestes dois casos novas espécies podem instalar-se, em seguida.

Conclusão, todo o ecossistema (a qualquer escala que o definamos) compreende parceiros vivos e um biótopo físico-químico modificado, ligados por uma rede de interacções, umas directas outras indirectas. É importante salientar que ainda que um ecossistema esteja estruturado no espaço e no tempo, estes são difíceis de delimitar no espaço-tempo, devido às diferentes interacções que os constituem e se realizam a diversas escalas. Por exemplo:

– Uma vegetação interage localmente com o solo; uma população de herbívoros que se alimenta dela interage consigo num domínio definido por uma certa amplitude de deslocações; esta população é, por outro lado, controlada por uma espécie predadora com um raio de acção muito maior e que a encontra esporadicamente. Temos, pois, dificuldade em ver como delimitar o ecossistema. O predador encontra várias populações de presas, portanto, pode ser considerado como participante em vários ecossistemas; do mesmo modo, ele suscita uma interacção entre estes últimos. Estamos, em pleno, na complexidade.

Contudo, o meu objectivo era dar umas luzes a quem desconhecia do que se tratava um ecossistema, pelo que não vou aprofundar mais, pelo menos de momento, sobre o que é um ecossistema. Penso que já devem estar a perceber o que pretendia dizer com Acção Reacção, não como 3ªLei de Newton, mas sim como os efeitos das nossas acções no planeta Terra.

Se podemos considerar um ecossistema planetar e um ecossistema define-se como um sistema de interacções entre as populações de diferentes espécies que vivem num mesmo sítio, e entre estas populações e o meio físico, então é simples concluir que todas as nossas acções no planeta Terra terão uma reacção de resposta. O meu intuito de realçar para isto é alertar cada um de nós a lembrar-se que quando faz algo (como atirar um papel para o chão, atirar objectos indivíduos pela sanita – como cotonetes, tintas de pintura de uma casa, etc- e outras acções) essa sua acção terá sempre uma resposta do meio físico e que essa resposta poderá ter consequências no próprio individuo que a realizou ou afectar outros.

Portanto lembre-se, todos os seus gestos terão sempre uma resposta, que poderá afecta-lo directamente ou indirectamente, seja consciente, adquira novos hábitos! 😉

fontes: Frontier, S. (s.d.). Os Ecossistemas. Instituto Piaget.

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 Seguem  alguns exemplos mais concretos para uma melhor compreensão de como os nossos gestos não são meros gestos, mas sim gestos com inúmeras consequências, visto que vivemos num ecossistema planetar.

Exemplo:

1)      Atirar cotonetes pela sanita – Para os desconhecedores das consequências desta sua acção estarão a questionar-se, que mal tem isso? Passo a explicar, quando algo é atirado para a sanita vai entrar no sistema sanitário passando por vários processos até essa água ficar tratada e ser devolvida ao meio ambiente. Acontece que ao logo do seu percurso, desde que o autoclismo é puxado, até a água ser devolvida ao meio ambiente, tudo o que é atirado pela sanita (saliento que os cotonetes não são a única coisa atirada indevidamente pela sanita) vai passar primeiramente por um sistema de gradagem, onde uma grande parte dos sólidos de uma certa dimensão são retidos, mas os cotonetes seguem o seu percurso, isto é, não ficam retidos neste sistema de gradagem. Ao chegarem aos decantadores, os cotonetes, devido às suas características, não ficam retidos pelo que mais uma vez continuam o seu percurso, e assim sucessivamente ao longo dos vários processos de uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais), pelo que os cotonetes acabam por dar “à costa” nas praias (já deve ter reparado nos diversos “palitos de plástico” que se encontram nas praias, não são porque as pessoas levem cotonetes para a praia, mas sim por os despejarem na sanita e não no seu local adequado…). O problema não é a falta de estética com que a praia fica por estarem lá cotonetes, mas sim o facto de vivermos num ecossistema, isto é, as interacções que vão desencadear. Muitos animais, tomam os cotonetes como alimento, acabando por os ingerir e consequentemente morrem. Se para si, é lhe indiferente ser o causador destas mortes, agora que sabe que a sua acção tem esta consequência, então fique sabendo que não sai assim tão impune, pois animais mortos facilitam a propagação de doenças, o que mais cedo ou mais tarde também o poderá afectar a si. Seja consciente, tome uma atitude, adquira este novo hábito: Cotonete na sanita não, obrigado! =)

Se tiver interesse em entender melhor o funcionamento de uma ETAR clique aqui.

Se tiver interesse em ver as consequências nos animais que ingerem os plásticos (não apenas cotonetes, mas também outros plásticos, portanto seja consciente com todos os resíduos que manda fora) espreite estes vídeos (Atenção se é uma pessoa sensível estas imagens podem ferir susceptibilidades): video 1, video 2 .

2)      A importância de separar o seu lixo – Quando separamos o lixo estamos a permitir que este possa ser reciclado, quando não separamos o lixo estamos a contaminar os resíduos impedindo que este possa ser reciclado. Assim, é importante separar os nossos resíduos para que o máximo possa ser reciclado, pois ao reciclarmos estamos a contribuir de várias formas:

  • Na poupança a nível de consumo de recursos, como matérias primas, energia, água, solo;
  • Na redução da poluição;
  • Na melhoria da eficiência de outros processos de valorização, tratamento e destino final dos resíduos;
  • Na melhoria da qualidade do ambiente
  • No cumprimento legal de políticas de gestão de resíduos, objectivos e metas de reciclagem de fluxos específicos de resíduos.

Deste modo está nas mãos de cada um de nós decidir como quer que os seus resíduos terminem o seu Ciclo de Vida, se de uma forma que contribui para uma melhor qualidade do ambiente e portanto de vida para todos os seres vivos, pois ao poupar os diversos recursos estamos a poupar o nosso habitat e de todos os seres vivos; ou se pretende que o Ciclo de Vida dos seus produtos, agora resíduos, o prejudiquem a si, aumentando a poluição e reduzindo a sua qualidade de vida além de afectar inúmeros animais na natureza, gastando mais recursos para novos produtos em vez de aproveitar o seu resíduo para dar origem a um novo produto, e ao gastar mais recursos também leva a que tenha menos recursos disponíveis que poderiam ser úteis para outros produtos…Mudar depende de si, adquira novos hábitos! =)

3)      As consequências dos pesticidas e similares – Não pretendo debater sobre o uso de pesticidas e as alternativas existentes, apenas acho que este é um exemplo mais fácil e directo para uma pessoa entender como as acções de cada um de nós têm sempre uma resposta. Deduzo que todos saibam para que são usados os pesticidas, a sua utilidade e finalidade, a acção está feita (aplicação dos pesticidas) a resposta do meio envolvente esta dada (vejam esta reportagem de Rui Araújo, “Veneno nosso de cada dia”).O que na minha opinião, uma vez que conhecemos a resposta e visto que somos considerados animais racionais, me deixa a seguinte questão: Será racional contaminarmos-nos a nós próprios?

Há muitos mais exemplos que poderia dar, afinal estamos num ecossistema, portanto todas as acções vão ter uma reacção. Fico por estes três exemplos, mas se tem algum hábito que gostava de saber quais as consequências negativas, directamente ou indirectamente, para o meio ambiente ou para si? Deixe aqui para eu pesquisar por si e poder informa-lo a si e a todos os que se interessarem, ou envie para sempegadas.novoshabitos@gmail.com =)

O que é uma Pegada?

Uma pegada é uma forma de quantificar a dimensão da degradação ambiental que as sociedades humanas provocam na Biosfera.

É um conceito que foi desenvolvido em 1996 por William Rees e Mathis Wackernagel, mais concretamente denominado “Pegada Ecológica”. William e Mathis criaram este conceito para ajudarem as pessoas a perceberem a quantidade de recursos naturais que utilizam para suportar o seu estilo de vida, onde se inclui a cidade e a casa onde moram, os móveis, roupas, produtos e transportes que utilizam, tal como o que comem, enfim tudo o que necessitam e usam no seu dia-a-dia ao longo da sua vida.

É importante realçar que a Pegada Ecológica não é uma medida exacta, apenas uma estimativa do impacto do estilo de vida de cada um no Planeta. Esta auxilia cada um a entender de que forma o seu estilo de vida adoptado está de acordo com a capacidade de sustentação do planeta, isto é, a capacidade do Planeta disponibilizar e renovar os recursos naturais e absorver os resíduos e poluentes que geramos ao longo da nossa vida.

Agora que sabermos o que é uma pegada, espero através deste blog conseguir contribuir para uma acção mais consciente dos gestos de cada um e assim para um futuro melhor, Sem Pegadas!

fontes: http://conservacao.quercusancn.pt/content/view/46/70/